Vereadores de Santa Rita são soltos após audiências

Audiências ocorreram no Fórum Criminal Juiz João Navarro Filho (Foto: Nalva Figueiredo/Jornal Correio)

 

Presos em flagrante na madrugada da última terça-feira (5), na ‘Operação Natal Luz’, 11 vereadores de Santa Rita e o contador da Câmara Municipal da cidade passaram por audiências de custódia, conduzidas pela juíza Maria dos Remédios Pordeus Pedrosa, no Fórum Criminal Juiz João Navarro Filho, também em Santa Rita. Somadas, as audiências tiveram mais de sete horas de duração. À 1h da madrugada desta quinta-feira (7), a magistrada decidiu pela liberação dos 12 custodiados após a busca e apreensão de todos os computadores da Casa Legislativa.

A promotora de Justiça Ana Maria França pediu a manutenção das prisões dos envolvidos, com a conversão de prisão domiciliar para as duas vereadoras envolvidas. A defesa dos acusados argumentou que as prisões foram ilegais. A juíza alegou que não tomava decisões com base em clamor público, mas sim nos autos do processo.

As audiências tiveram inicio às 16h30, com a oitiva do vereador Dioclécio Ribeiro de Sousa, e foram encerradas com o presidente da Câmara, Anésio Miranda, que começou a ser ouvido às 22h30. Cada oitiva durou em média 30 minutos. A mais demorada foi a do contador Fábio Comes, que levou mais de uma hora, e a do presidente, que terminou às 23h33.  Após ser ouvida pela juíza, a vereadora Roseli Diniz da Silva, a Rosa do Vaqueiro, passou mal, foi socorrida por uma equipe médica do Samu e levada para um hospital.

O grupo foi preso ao retornar de uma viagem a Gramado (RS), onde teria forjado a participação em um congresso para realização de um passeio turístico. De acordo com o delgado Allan Murilo Terruel, a estimativa é que o prejuízo causado aos cofres públicos seria em torno de R$ 1,5 milhão, e, só nesse último passeio, os gastos foram de R$ 71 mil.

O delegado informou ainda que a Polícia Civil de Sergipe, em Aracaju, ouviu na tarde desta quarta-feira (6) o depoimento dos proprietários do Icap, responsável pela realização dos eventos. Além disso, ele recebeu uma ocorrência do advogado João Alves, que estaria sendo ameaçado por pessoas ligadas aos presos.

Procurado pela reportagem, o advogado confirmou a denúncia e se disse temeroso por sua vida. “Estou sendo ameaçado pelo fato de ter formalizado uma denúncia junto ao TCE sobre essa ‘farra das diárias’ na Câmara. Essa minha denúncia nem saiu do lugar e essa operação não tem nada a ver com ela. Agora estou sendo ameaçado, inclusive, com telefonemas para pessoas que trabalham comigo, pedindo para que elas se afastem porque minha morte já estaria encomendada”, denunciou o advogado.

Os presos

São alvos da operação: Anésio Alves de Miranda Filho (presidente da Câmara); os vereadores Brunno Inocêncio da Nóbrega Silva, Carlos Antônio da Silva (conhecido como Galego do Boa Vista), Francisco de Medeiros Silva (conhecido como Cícero Medeiros), Diocélio Ribeiro de Sousa, Francisco Morais de Queiroga, João Evangelista da Silva, Ivonete Virgínio de Barros, Marcos Farias de França, Sérgio Roberto do Nascimento, Roseli Diniz da Silva, a Rosa do Vaqueiro; e o contador da Câmara, Fábio Cosme.

Fatos denunciados

A operação Natal Luz teve como base denúncias anônimas e notícias divulgadas nas redes sociais. Os vereadores presos, em flagrante, são suspeitos do crime de peculato, que é o desvio de dinheiro público para benefício próprio, pois teriam forjado um congresso na cidade de Gramado (RS), que a polícia diz não ter se realizado, e que eles teriam ido a passeio com familiares.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 *Texto de Adriana Rodrigues, do Jornal Correio

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